SÚRYA NAMASKÁRA
Saudação ao sol
O Súrya Namaskára faz parte do yoga mais ancestral, é mencionado numa das escrituras mais antigas, no Yajur Veda e provavelmente foi desenvolvido com base no Aditya Hrudayam, mencionado no Ramayana, que explica um género de saudação ao sol com mantras, similar ao súrya namaskára moderno.
É a reminiscência da prática de ásana, prática de uma sequência de posturas realizada em sincronia com a respiração, este método de execução detém o nome de vinyása. Apesar do seu contexto e as suas características assentarem num ritual de devoção, agradecimento e conexão com a força da natureza mais propriamente com o sol que representa a saúde e longevidade, todas as escolas adoptaram a sua utilização em suas práticas ou coreografias. Para algumas chega a ser a base de uma prática completa, em outras salientam-se grandes variações ou alterações e até já foi resgatado por instituições contemporâneas que desenvolvem planos e coreografias para actividades físicas.
Como a diversidade de práticas ou sequências é em elevado número, deveríamos escolher aquela que se aproxima mais do original e a que vai ao encontro da nossa pretensão, a única forma de o sabermos é experimentando e estudando sobre o assunto, mantendo a mente e o coração abertos.
Segundo a escola de Shivananda é um conjunto de 12 posições que combinam força, elasticidade, concentração e coordenação. Actua ao nível mental, emocional, físico e energético. Um sequência de posições ou ásanas encadeados e aos quais acrescentamos mantra, bandha, pránáyáma e pújá.
Por tradição deveria ser praticado com exposição ao sol nascente, não esqueçamos que se trata de uma saudação ao sol.
Fique de pé, voltado para leste ao amanhecer e vocalize os mantras para o sol com a oferta de sândalo vermelho, flores, grãos de arroz com água e de seguida realize o súrya namaskára.
A execução do súrya namaskára é feita mediante um circuito de 24 posições, 12 para cada lado e deverá iniciar primeiro estendendo a perna direita e depois com a perna esquerda para completar a saudação. Normalmente é feito em múltiplos de dois mas quando realizar 25 vezes o súrya namaskára completa uma frequência (avritti) e os praticantes mais experientes já o fazem contando o número de avrittis.
Se for realizado lentamente desenvolve a concentração, a estabilidade emocional e actua no subtil, de forma mais rápida desenvolve a agilidade, a resistência e actua no denso.
Shivananda recomenda que se vocalize ou mentalize o seguinte sankalpa no início de cada execução.
“Hey Súrya deva, mera pranám swikar karen, samasta bhágya janit sankaton se meri raksha karen”
“Ó senhor sol, saudações a você. Por favor, proteja-me de qualquer malefício que o destino possa ter reservado para mim”
Existem 12 nomes atribuídos ao sol e associados às energias principais que são emanadas por ele. Estes nomes são normalmente evocados durante a prática, uma vocalização antes da execução de cada ásana. Pode ser feito lentamente para desenvolvimento energético ou rapidamente para desenvolvimento físico.
Quando executado lentamente fica acessível a vocalização dos mantras mas quando executado rapidamente será provavelmente mais fácil vocalizar os bíjas.
Os bíja mantras a vocalizar antes de cada posição:
- Om Hram
- Om Hrim
- Om Hrúm
- Om Hraim
- Om Hraum
- Om Hrah
Os mantras de cada posição são os seguintes:
- Om Mitráya namah - Saudação ao amigo de todos
- Om Raváye namah – Saudação àquele que brilha
- Om Súryáya namah – Saudação àquele que gera actividade
- Om Bhánave namah – Saudação àquele que Ilumina
- Om khagáya namah – Saudação àquele que se move rapidamente no céu
- Om Púshne namah – Saudação àquele que dá força e alimenta
- Om Hiranyagarbháya namah – Saudação àquele do ventre dourado
- Om Máricháye namah – Saudação ao senhor do entardecer
- Om Ádityáya namah – Saudação ao filho de áditi, a mãe cósmica
- Om Sávitre namah – Saudação ao poder estimulante do sol
- Om Árkáya namah – Saudação àquele que é digno de ser reverenciado
- Om Bháskaráya namah – àquele que leva à iluminação
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