KAYA STHAIRYAM
Definição: significa corpo firme, técnica para se obter a imobilidade total, e pronuncia-se Kaya Stheriam. A proposta desta técnica acenta na determinação em permanecer-se totalmente imóvel e após tomada essa decisão, deverá permanecer sem se mexer um milimetro que seja, nem mesmo para deglutir a saliva ou pestanejar.
Superar ou cessar efectivamente qualquer género de actividade é uma tarefa que exige predisposição e dedicação, nunca o faça pela via da imposição ou para satisfazer o ego. Não se enquadra na filosofia e não se coaduna com a proposta.
No contexto do yoga é uma ferramenta de controlo, para uma maior capacidade de interiorização ou tomada de consciência sobre nós próprios e mesmo assim, só conseguimos reduzir a actividade ao mínimo possível.
A mente foi concebida para trabalhar incessantemente, em maior ou menor actividade ela está sempre a laborar, as emoções estão sempre presentes e manifestadas ou não, são como os sentimentos que surgem em qualquer altura e por qualquer motivo. Já o corpo, essa estrutura move-se voluntária ou involuntariamente e pará-lo efectivamente só com a morte do mesmo. Cessamos a actividade voluntária transcendendo o movimento do corpo e dedicamo-nos ao controlo da actividade involuntária, a mais subtil.
Imagine os efeitos desta acção para a inacção, sim, porque o que é realmente interessante é a forma como percorremos esse caminho, o desenrolar desta acção proporciona o conhecimento, a tomada de consciência, o controle dos aspectos mais subtis que nos conduzem ao resultado final, a meditação.
Lembre-se, esta é uma técnica que tal como por vezes é sugerido que se foque apenas em um ponto e se abstraia de tudo o resto, também é possível abstrair-se de tudo e concentrar-se no desfocado. Quero dizer com isto que também é possível alcançar-se um estado meditativo na acção, em qualquer uma, o que conta é a determinação, o foco, a vontade de se lá chegar ou a capacidade de se reconhecer nesse estado meditativo.
Prepare o local como o faria para o seu sádhana regular, crie o ambiente mais aprazível queimando um pouco de incenso antes da prática, regule a intensidade da luz, vista roupa confortável para que não seja motivo de desconcentração ou incómodo, ou faça-o sem roupa se a temperatura ambiente o permitir. Escolha a melhor altura do dia e um bom momento para si, avise que não quer ser incomodado e desligue tudo o que possa perturbar este momento.
Dedique o tempo que considerar necessário para preparar este primeiro passo porque a sua prática começa aqui. A minha sugestão para a permanência total neste exercício é de 15 a 30 minutos, mas poderá permanecer por mais ou menos tempo, dependendo do seu conforto e intenção.
Sente-se em uma posição confortável, poderá optar por siddhásana, virásana ou vajrásana e ou padmásana. Ajuste-se para que a postura adoptada permaneça estável e sem estar em esforço. Verifique o acento dos glúteos no chão, a distribuição equitativa do peso do corpo usando a coluna como eixo.
Pouse as mãos sobre os joelhos em jñána ou chin mudrá. Mantenha a coluna erecta, abra o peito e alinhe os ombros, por fim, deixe a cabeça no alinhamento da coluna e relaxe os músculos da face.
Inicie com a respiração completa (rajá pránáyáma ou prána kriyá) tomando consciência da mesma, e de seguida coloque a respiração apenas no abdómen (adhama pránáyáma), faça-o até que esta se torne imperceptível e a partir desse momento deixará de interferir passando a respiração a ser naturalmente profunda, lenta e ritmada.
Verifique de novo a posição e mantenha uma atitude de auto-observação durante todo o tempo de prática. Insista no alinhamento até o incorporar e crie raízes no solo.
Faça a vocalização dos bíja mantras durante 10 minutos em tom moderado e até este momento já terão passado 15 minutos.
Volte à observação do corpo e da respiração, mantenha a mente vazia e focada no momento e não se identifique com mais nada para além da sua prática.
Vocalize o mantra Om em tom moderado e vá reduzindo o ritmo e o tom até que se torne mental e em sintonia com o batimento cardíaco.
Deixe que tudo cesse naturalmente até surgir o silêncio e o vazio da meditação.
Terminados os 30 minutos, encerre a prática e faça uma torção para cada lado seguido de uma anteflexão sobre as pernas estendidas.
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